Charmosas estantes, bem iluminadas, destoavam do restante do estabelecimento. Inusitadamente (ou não), dois marmanjos encontravam-se sob efeito quase hipnótico em frente ao acervo anti-rugas. Talvez metrosexuais, namorados buscando presente para suas respectivas, bixonas loucas... não sei!! Fato é que isso representa um comportamento notoriamente crescente... a corrida contra o tempo.
A indústria do cosmético cavalga promissoriamente sob um dos maiores sonhos do homem: a juventude eterna. Quem nunca ouviu histórias sobre a lendária fonte da juventude? Descoberta por árabes e roubada por bárbaros, hoje flutua perdida sobre águas oceânicas. Sua água de altíssima pureza é capaz de rejuvenescer quem a beber. Embora essa lenda medieval seja uma insanidade sem tamanho, ela mostra como a juventude sempre foi uma obsessão humana.
Com a evolução da sociedade ganhamos sobrevida. Vivemos mais do que nossos antepassados. No entanto, não há avanços significativos em termos da manutenção da juventude. Fato é que vivemos mais, mas os cabelos continuam caíndo, as rugas surgindo, a gordura acumulando, a libido se esvairindo... e o que nos resta? Sofrer mais. Viver mais tempo feio, com dores, limitações das mais variadas, remédios... Mas há uma recompensa nisso tudo. Lugar preferencial em filas, acentos especiais em transporte público, muito tempo livre para buscar os melhores especialistas da medicina, receber em doses homeopáticas aquele dinheiro religiosamente depositado ao longo da vida, entre outras. Com um pouco de sorte você pode se juntar aos velinhos de Copacabana ou Leblon, ter 3 ou 4 imóveis, ganhar um alguelzinho, guardar esse dinheiro, comprar outro imóvel (e alguns remédios), alugar, guardar, comprar, alugar, guardar, comprar, alugar...
Você realmente quer viver para sempre?

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